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Guia · Lei 8.245/91Atualizado em 2026

Contrato de aluguel verbal vale? Entenda a validade e os riscos

Contrato de aluguel verbal vale, mas tem limites. Veja o que diz a Lei 8.245/91, como provar a locação e quais direitos você perde sem contrato escrito.

resposta direta

Sim, o contrato de aluguel verbal vale e é juridicamente válido. A Lei 8.245/91 não exige forma escrita para a locação existir: basta acordo, entrega das chaves e pagamento. O problema não é a validade, e sim a prova dos termos. Sem documento, você perde direitos que a lei condiciona ao contrato escrito.

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Por que o aluguel verbal é válido segundo a lei

A Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91) não impõe forma escrita como requisito de existência da locação. O art. 47 da lei expressamente reconhece a locação 'ajustada verbalmente', tratando-a como contrato legítimo. Para ser válido, o ajuste verbal precisa preencher os requisitos gerais de qualquer negócio jurídico previstos no art. 104 do Código Civil: agente capaz, objeto lícito e possível, e forma não defesa em lei. Como a lei não defende (proíbe) a forma verbal na locação residencial, o acordo de palavra, somado à entrega das chaves e ao pagamento do aluguel, já caracteriza uma relação locatícia plena. Na prática, milhões de locações no Brasil começam assim — entre familiares, conhecidos ou em imóveis populares — e produzem todos os efeitos: dever de pagar aluguel, de conservar o imóvel e de devolvê-lo ao final.

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O verdadeiro problema do contrato verbal: a prova

A fragilidade do aluguel verbal não está na validade, e sim na prova. Quando não há documento assinado fixando valor, prazo, índice de reajuste e responsabilidades, demonstrar os termos exatos do que foi combinado vira um desafio. Numa disputa judicial, a palavra de uma parte pode valer tanto quanto a da outra, cabendo ao juiz decidir com base nas provas. Por isso, quem aluga de boca deve guardar todo rastro possível: comprovantes de transferência ou recibos do aluguel, conversas de WhatsApp combinando valores, contas de água e luz no nome do inquilino e, sobretudo, testemunhas que presenciaram a negociação. Esses elementos, em conjunto, formam o conjunto probatório que substitui o contrato escrito num eventual litígio.

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Direitos que você PERDE sem contrato escrito

Aqui está o ponto que ninguém avisa: a própria Lei 8.245/91 condiciona certos direitos à existência de contrato por escrito. A resolução automática da locação residencial ao fim do prazo, sem necessidade de aviso, só existe quando o contrato é escrito e tem prazo igual ou superior a 30 meses (art. 46). A ação de despejo liminar por descumprimento de acordo de desocupação depende de instrumento escrito assinado por duas testemunhas (art. 59, §1º, I). E a ação renovatória, na locação comercial, exige contrato escrito por prazo determinado (art. 51, I). Quem aluga no verbal abre mão dessas ferramentas: na prática, a locação verbal é sempre tratada como de prazo indeterminado para fins de retomada, sujeitando-se ao art. 47 e suas regras mais restritas.

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Como o locador retoma um imóvel alugado no verbal

Como a locação verbal é juridicamente equiparada à de prazo indeterminado, o locador não pode usar a chamada denúncia vazia pura ao fim de um suposto prazo — porque, sem contrato escrito de 30 meses, não há prazo determinado a 'vencer'. A retomada segue o art. 47: o imóvel só pode ser pedido de volta nas hipóteses dos incisos, como uso próprio do locador, de cônjuge, ascendente ou descendente sem imóvel próprio (inciso III), ou quando a locação ininterrupta já durar mais de cinco anos (inciso V). Atingidos cinco anos de locação, abre-se a possibilidade de denúncia imotivada, mediante notificação escrita concedendo 30 dias para desocupação (art. 57). Antes disso, fora das hipóteses legais, o locatário tem direito de permanecer.

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Reajuste, garantia e despesas no aluguel verbal

Mesmo sem papel, várias regras da Lei do Inquilinato continuam valendo. O reajuste do aluguel só pode ocorrer no período mínimo legal (anual) e por índice válido — sem contrato, recomenda-se fixar por escrito ao menos o índice (IPCA, IGP-M) para evitar disputa. As despesas ordinárias de condomínio cabem ao inquilino e as extraordinárias ao proprietário (art. 22, X, e art. 23, §1º), independentemente de previsão contratual. Já a garantia locatícia (caução, fiador, seguro-fiança) precisa ser pactuada; e a lei proíbe a cumulação de mais de uma modalidade de garantia no mesmo contrato (art. 37, parágrafo único). No verbal, a ausência de garantia formal aumenta o risco do locador em caso de inadimplência.

base legal

Base legal deste guia

Os dispositivos abaixo são a fundamentação jurídica do conteúdo desta página. O contrato gerado pelo MeuContratto aplica essas regras automaticamente nas cláusulas.

Lei 8.245/91 art. 47 (locação ajustada verbalmente e hipóteses de retomada)
Lei 8.245/91 art. 46 (resolução automática exige contrato escrito de 30 meses)
Lei 8.245/91 art. 51, I (ação renovatória exige contrato escrito)
Lei 8.245/91 art. 57 (denúncia do contrato por prazo indeterminado, 30 dias)
Lei 8.245/91 art. 59, §1º, I (despejo liminar exige instrumento escrito)
Lei 8.245/91 arts. 22, X e 23, §1º (despesas ordinárias e extraordinárias)
Código Civil art. 104 (requisitos de validade do negócio jurídico)
perguntas frequentes

Perguntas frequentes

Contrato de aluguel verbal tem validade jurídica?

Sim. A Lei 8.245/91 não exige forma escrita para a locação existir. O acordo verbal, com entrega das chaves e pagamento do aluguel, é plenamente válido. A dificuldade está em provar os termos combinados, não na validade do contrato em si.

Posso ser despejado de um imóvel alugado sem contrato escrito?

Pode, mas só nas hipóteses do art. 47 da Lei 8.245/91 (uso próprio do dono, de ascendente/descendente sem imóvel, entre outras) ou após cinco anos de locação ininterrupta, com notificação de 30 dias. O locador não pode despejar a qualquer momento sem motivo legal.

Como provar um contrato de aluguel verbal na Justiça?

Reúna comprovantes de pagamento do aluguel, recibos, mensagens combinando valores, contas de consumo no seu nome e testemunhas que presenciaram o acordo. Esse conjunto de provas substitui o contrato escrito e demonstra a existência e os termos da locação.

Quem paga o IPTU e o condomínio no aluguel verbal?

As despesas ordinárias de condomínio cabem ao inquilino e as extraordinárias ao proprietário (arts. 22 e 23 da Lei 8.245/91), valendo mesmo sem contrato. O IPTU pode ser atribuído ao locatário se houver acordo nesse sentido; sem prova do ajuste, a discussão fica mais difícil.

O locador pode reajustar o aluguel verbal quando quiser?

Não. O reajuste respeita o período mínimo legal de um ano e deve seguir índice válido (IPCA, IGP-M). Aumentos fora do prazo ou em percentual aleatório podem ser questionados. Por isso é prudente registrar ao menos o índice por escrito.

autoria e revisão

Conteúdo revisado pela Equipe Jurídica MeuContratto. Última revisão em 09 de junho de 2026.

Material informativo de caráter geral, sem substituir orientação jurídica individual. Para o seu caso concreto, consulte um advogado.

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